16 de outubro de 2021

Luciano Hang compra algema para senadores da CPI da Covid que quiserem prendê-lo

Com depoimento marcado na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, o empresário bolsonarista Luciano Hang compartilhou um vídeo, nessa segunda-feira (27/9), em que aparece com um dos braços algemado.

O dono da rede de lojas Havan explica que o objeto foi comprado por ele para não ser gasto dinheiro dos senadores, caso eles decidam prendê-lo por não “aceitarem” as respostas que dará na quarta-feira (29/9). Assista ao vídeo: 

“Gentileza gera gentileza, respeito gera respeito. Eu quero que eles façam as perguntas e eu tenha todo o tempo do mundo para responder”, diz. “E se por acaso eles não aceitarem aquilo que vou falar, já comprei para não gastar dinheiro com algema, já comprei uma algema, vou entregar uma chave para cada senador. E que me prendam”, declara Hang.

O empresário também afirma que irá depor de coração aberto e que reservou o dia para a CPI da Covid, por isso, pretende “ter todo o tempo do mundo” para responder aos questionamentos dos parlamentares. “Estou com a verdade do meu lado”, escreveu na legenda do vídeo.

Senadores querem aprofundar ligação de Hang com fake news e com a Prevent Senior

A convocação de Hang foi aprovada pelos senadores na última quinta-feira (23/9). Na ocasião, ele afirmou que recebeu “com tranquilidade” a informação e que seria “um prazer falar de todo o trabalho” que fez para auxiliar a economia e a “saúde do povo brasileiro”.

Com o depoimento, os senadores pretendem aprofundar as investigações sobre o envolvimento do empresário em esquemas de disseminação de informações falsas.

Na última quarta-feira (22/9), Hang foi citado na CPI pela ligação com a Prevent Senior. O plano de saúde é acusado de tratar pacientes com medicamentos ineficazes para a covid-19, sem autorização do Conselho Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) nem dos próprios pacientes.

A intenção da Prevent era atestar a eficácia dos remédios. As denúncias dessas e de outras irregularidades foram reunidas por médicos e ex-médicos da empresa e entregues em um dossiê para a CPI da Covid.

Outra acusação é de que a operadora de plano de saúde omitiu mortes por administração dos medicamentos. É neste caso que Hang se enquadra. A mãe do empresário era uma das clientes do plano e faleceu em fevereiro de 2021 após complicações da covid-19.

Internada no Hospital Sancta Maggiore, da Rede Prevent Senior, ela foi medicada com o chamado “kit Covid”, formado por medicamentos ineficazes para o tratamento da doença, como ivermectina e cloroquina. No óbito, no entanto, a empresa não informou a causa da morte da mulher.

Além disso, há uma desconfiança de que Hang usou a morte da própria mãe para ofuscar o esquema feito pela Prevent Senior. Isso porque, após a morte dela, em vídeo publicado em rede social, ele diz que a mulher chegou ao hospital assintomática e com 95% dos pulmões comprometidos, e que teria sido salva se tivesse tomado o “kit covid”.

“Um filho que utiliza dessa forma a sua mãe, tratada com covid no hospital, com os medicamentos do tratamento precoce. E nós temos comprovação de que ele recomendou a médicos: olha, escondam que a minha mãe foi tratada com cloroquina para não desmerecer a eficácia do plano. Isso é uma coisa macabra, escabrosa, reprovável, repugnante sob qualquer aspecto”, citou o senador Renan Calheiros (MDB-AL) na quarta (22/9), durante a sessão da CPI.

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