16 de outubro de 2021

“Barca furada”: Centrão já fala em “derrota” de Bolsonaro, mas ainda não cogita deixá-lo

Importantes lideranças do bloco do Centrão já falam abertamente na possibilidade de derrota do presidente Jair Bolsonaro nas eleições de 2022, alguns taxando o governo como “barca furada”.

Para representantes do PP, uma das principais siglas do bloco, a única forma de o ex-capitão chegar “minimamente competitivo” na disputa é de crescer entre o eleitorado das chamadas classes D e E, onde estão os que vivem entre a pobreza e a extrema pobreza.

Isso porque, na visão desses aliados, a queda no apoio ao presidente no segmento da classe média — iniciada na pandemia e aprofundada com o impacto da inflação sobre o preço dos combustíveis e dos alimentos— já seria irreversível. O último Datafolha mostrou que foi nesse grupo que mais cresceu a rejeição a Bolsonaro, hoje em inéditos 53%.

Mas ainda que o horizonte pareça plúmbeo para o ex-capitão, lideranças do PP não apenas desconsideram abandoná-lo por enquanto como defendem a sua filiação à sigla com base num cálculo simples. Forte no Nordeste, o PP de Ciro Nogueira praticamente não tem penetração, por exemplo, em São Paulo, onde a aprovação de Bolsonaro se mantém relativamente alta.

Como o que conta para as legendas são as cifras do fundo partidário e eleitoral — e como o valor desses fundos depende sobretudo do número de votos para deputados federais que elas conseguem amealhar— a influência do presidente em colégios eleitorais importantes como São Paulo e Rio de Janeiro pode ser determinante para estufar os cofres da sigla, garantindo poder e influência aos seus caciques.

No caso do PP, lideranças calculam que, somando os votos de legenda com a força de puxadores de voto como os deputados Eduardo Bolsonaro e Carla Zambelli, ambos do PSL, mas candidatos certos a migrar para o PP junto com o ex-capitão, o partido conseguiria aumentar em até um terço a sua bancada na Câmara, hoje de 42 parlamentares.

Num momento em que o PSL se une ao DEM para formar um super-partido e o PSD se prepara para entrar em campo com um candidato à Presidência, ter em seus quadros um presidente da República, ainda que capenga, é o melhor que o PP pode querer.

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