27 de outubro de 2021

Grupo racha em sucessão de Dino e deve deixar Lula sem palanque no Maranhão

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Aliado de primeira hora e entusiasta antigo de uma nova candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PSB), está com seu grupo dividido para a sucessão em 2022 —o que deve deixar o petista sem ou com um palanque dividido com candidatos rivais na disputa pelo governo do estado no ano que vem.

Hoje, dois nomes são favoritos para receber o apoio de Dino em 2022: o senador Weverton (PDT) e o vice-governador, Carlos Brandão (PSDB). Em qualquer um dos casos, os políticos integram partidos que terão candidatos próprios à Presidência e que devem “bater” em Lula.

Os dois, contudo, mostraram recente aproximação e elogiaram o ex-presidente em encontros presenciais com o petista.


Weverton se encontrou com Lula em Brasília, no último dia 5, e postou nas redes sociais um pedido por “união”.

Já Brandão recebeu Lula em visita ao Maranhão, ao lado de Dino, em agosto.

Além deles, também correm bem por fora o secretário de Indústria, Comércio e Energia do Maranhão, Simplício Araújo; e o secretário de Educação, Felipe Camarão (PT). Ambos, porém, têm como mais prováveis candidaturas a cargos legislativos.

Questionado pelo portal UOL, Dino diz que não tem dúvidas de que estará com Lula. “Teremos grandes movimentações com federações, fusões partidárias e pessoas mudando de partido até abril. De todo modo, temos excelente relação com o PT no Maranhão e estaremos juntos em 2022”, diz.

O grupo de Dino deve ter como principal rival no Maranhão o ex-prefeito de São Luís Edvaldo Holanda (PSD), que chegou a ter ligação com Dino, mas hoje não é mais próximo ao governador. A ex-governadora Roseana Sarney (MDB) também tem o nome cogitado para a disputa, por ser a líder nas pesquisas até aqui, mas ela provavelmente deve disputar como deputada federal.

Arco grande, divergência também

Dino se notabilizou por conseguir agregar um grande arco de partidos de ideologias distintas, mas que, desde 2020, se engalfinham em busca do protagonismo. O leque de alianças estaduais vai desde o PP —para onde Bolsonaro deve ir para concorrer à reeleição—, passando por Republicanos e chegando ao seu antigo PCdoB.

Flávio Dino apoiou candidato do Republicanos e votou com camisa “Lula livre” em 2020
Imagem: Reprodução/Twitter/@flaviodino

Na eleição para a Prefeitura de São Luís, em 2020, já estavam fragmentados e três candidatos da base foram para a disputa. Resultado: dispersaram os votos e acabaram derrotados pelo independente Eduardo Braide (Podemos).

Naquela ocasião, Dino ficou fora do primeiro turno e só entrou com apoio na campanha no segundo turno, quando o deputado estadual Duarte Júnior (Republicanos) era o único da base aliada. O grupo, porém, se dividiu.
Recentemente, Duarte chegou a comparar a situação interna com a eleição municipal.

“Acredito que está parecendo com aquilo que aconteceu no ano passado. Muitos candidatos, todo mundo fala o que quer, ninguém se entende e esquece de combinar com o povo, com as pessoas”, disse, em entrevista à rádio Mirante.

Disputa para o Senado em 2022

Reeleito em 2018, Flávio Dino deixa o cargo em abril de 2022 para disputar o Senado, sendo favorito à única vaga que vai estar disponível no estado. Por sua projeção nacional, chegou a ter seu nome ventilado como possível vice de Lula, mas a chance de isso ocorrer é dada como remota.

Segundo o cientista político Wagner Cabral, da UFMA (Universidade Federal do Maranhão), Dino se notabilizou pelo poder de liderança e união de partidos em torno de si, mas fracassou em aglutinar a base aliada em um único nome para sucessão.

“Isso ficou evidenciado já nas eleições de 2020. A fragmentação do ‘condomínio Flávio Dino’ é uma resultante da própria montagem do grupo, bem como do padrão de política adotado nos sete anos de governo”, diz. Para ele, há dois motivos para o grupo estar agora em busca de mais espaço.

Esse grupo se desintegrou porque girava em torno de duas coisas: o antisarneísmo e o projeto pessoal de Flávio Dino, construído desde 2006. Sem esses dois elementos, o que mais poderia unir o condomínio?
Wagner Cabral, cientista político da UFMA

Para ele, assim como para Lula, o apoio de Dino no estado é importante. O governador maranhense tem objetivos maiores na carreira política e vislumbra protagonismo nacional. “Flávio Dino precisa estar colado em Lula não somente para eleição de 2022, mas especialmente mirando seu futuro político com pretensões nacionais. Ele planeja um cargo ministerial ou ter destaque no Senado como líder do governo. O projeto de ascensão política nacional passa por Lula, considerando o cenário atual”, finaliza.

  • Com informações do portal UOL

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