Globo muda protocolo e libera repórteres para trabalhar sem máscaras

27 de outubro de 2021 Por Sólon Vieira 0
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A Globo dará um importante passo em seu posicionamento sobre a crise sanitária a partir da meia-noite desta quinta-feira (28). Os repórteres baseados no Rio de Janeiro, independentemente do setor que atuam, estão autorizados a voltar a produzir conteúdos sem o uso de máscaras, desde que estejam em ambientes abertos ou com baixo número de concentração de pessoas. A decisão vai ao encontro com o decreto de Eduardo Paes, prefeito da capital fluminense, que flexibilizou o uso do equipamento de proteção na cidade, e deverá se tornar um modelo para todas as regiões.

Inicialmente, os executivos da emissora não planejavam liberar os funcionários do uso de máscaras. O TV Pop apurou que a liberação só será feita pela iminência de Cláudio Castro, governador do Rio de Janeiro, em sancionar e publicar no Diário Oficial o projeto de lei que autoriza o governo e as prefeituras a derrubarem a obrigatoriedade do uso do instrumentário. O político planeja publicar a liberação nesta quinta-feira, em paralelo com a elaboração de um documento com recomendações aos municípios com critérios para a flexibilização. A líder de audiência só aguarda a divulgação do posicionamento governamental para oficializar a mudança de posicionamento com os telespectadores.

Consultada pela reportagem, a Globo não se manifestou até a publicação deste texto. No entanto, profissionais que atuam nas equipes do Jornal Nacional e dos telejornais locais do Rio de Janeiro já foram comunicados sobre a liberação assim que o decreto seja publicado. Para os colaboradores, a direção da rede justificou que a decisão foi tomada para ir de encontro com o que o público irá encontrar nas ruas, e não faria sentido deliberar pela manutenção das máscaras diante da população liberada do uso do equipamento de proteção.

O uso de máscaras na Globo

A Globo havia determinado que todos os seus repórteres usassem máscaras há quase 18 meses. Em e-mail enviado por Ali Kamel, diretor-geral de Jornalismo, em 4 de maio de 2020, a emissora sinalizou aos seus funcionários que os jornalistas precisavam dar o exemplo para os telespectadores, com o intuito de estimular a criação de um hábito na população. No extenso posicionamento, ele informou que apenas os apresentadores e colaboradores em esquema de home office estariam dispensados do uso do equipamento. A seguir, relembre o teor do comunicado: https://f8c4b454b0acfdc61dee325510a0047d.safeframe.googlesyndication.com/safeframe/1-0-38/html/container.html

Diante do agravamento da crise sanitária, e para dar o exemplo, estimulando o hábito na população, o uso de máscaras por repórteres em todos os vivos e em todas as passagens passa a ser obrigatório. Nossa prática anterior era segura, como atestam os infectologistas, mas o momento pede mais do que isso: é preciso usar nossa imagem como reforço no convencimento de milhões de pessoas.

De agora em diante, os brasileiros verão nossos repórteres nos vivos e nas passagens com máscaras. E se sentirão ainda mais estimulados a usá-las. A máscara não será usada por apresentadores e repórteres em estúdio e por profissionais que estejam em home office porque estão em ambientes controlados. Em todas as outras circunstâncias, o uso da máscara é obrigatório. Conto com vocês.

Essa regra passa a valer hoje no JN e JG. Amanhã em todos os telejornais.

A flexibilização no uso de máscaras pelos repórteres baseados no Brasil vai ao encontro com o posicionamento adotado pela emissora com jornalistas que atuam em outros países. Há vários meses, a líder de audiência já autoriza gravações sem o equipamento de proteção em regiões em que o número de casos está sob controle e que contaram com liberação governamental — correspondentes dos Estados Unidos, em cidades como Nova York e Washington, e Lisboa, em Portugal, já aparecem no ar sem o instrumentário.