Unileão reafirma compromisso contra o racismo e conscientiza a comunidade para a valorização da cultura negra neste mês de novembro

9 de novembro de 2021 Por Sólon Vieira 0
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Uma pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva no começo de 2021 apontou que, embora 84% da população brasileira reconheça o racismo, apenas 4% se consideram racistas. Como forma de contribuir com a conscientização da comunidade caririense sobre as práticas racistas que estão enraizadas na sociedade, assim como para propor uma reflexão sobre o papel da cultura negra na construção da sociedade brasileira, o Centro Universitário Doutor Leão Sampaio (Unileão) promoverá diversas ações em alusão ao mês da consciência negra e implantará iniciativas permanentes, que serão divulgadas no decorrer de novembro. A culminância dessas atividades ocorrerá no Dia Nacional da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro.

Racismo e sua relação com a desigualdade social

De acordo com a profa. Moema Alves, docente do curso de Psicologia da Unileão, existe uma crença no racismo, nem sempre consciente, de que há uma raça superior e o padrão dessa raça é a aparência europeia. Ela atribui esse fato ao longo período de colonização e escravidão que o Brasil tem em sua história. Assim, as pessoas com traços físicos negros passam a ser lidas socialmente como inadequadas e incapacitadas para ocupações de espaços sociais e qualificadas pejorativamente.

Historicamente, o Brasil somou quase quatro séculos de escravidão no país. A prática, que teoricamente se encerrou em 1888, seguiu por muito mais tempo e trouxe consequências que são vividas até os dias de hoje pela população negra, grupo mais atingido pela violência policial e pelas desigualdades sociais e econômicas.

Essa desigualdade é oriunda de processos relacionais na sociedade e condiciona, limita ou prejudica o status e a classe social de uma pessoa ou um grupo, interferindo em requisitos primários para a qualidade de vida.

Uma das maiores expressões de desigualdade social e racial no país é a forte concentração dos índices de violência contra a população negra. A chance de uma pessoa negra ser assassinada no Brasil é 2,6 vezes superior à de pessoas não negras, de acordo com o Atlas da Violência 2021.

Em uma tentativa de assegurar os direitos básicos aos cidadãos pretos e pardos, que representam cerca de 56% da população brasileira, e diminuir os efeitos da desigualdade social e racial é que, em 2010, foi promulgada a Lei 12.288/2010, conhecida como Estatuto da Igualdade Racial.

Mesa-redonda sobre racismo e negritude no cotidiano profissional

No dia 22 de novembro, a Unileão realizará uma mesa-redonda intitulada “Racismo e Negritude no Cotidiano Profissional – Atravessamentos e Enfrentamentos”, a partir das 19h, no auditório do bloco E do campus Lagoa Seca da Instituição.

Inscreva-se no evento!

O evento contará, além da mesa principal, composta por professores da Instituição, com uma apresentação cultural e com a palestra de abertura “Representatividade e Reconhecimento Negro na Atualidade”, ministrada pelo prof. Régio Quirino, que é mestre e doutorando em Filosofia pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e professor de Ensino Superior e da Educação Básica.

As inscrições estão abertas e podem ser feitas gratuitamente por meio deste link. A atividade será aberta ao público.

Conquistas do movimento negro ao longo da história brasileira

  • 1888: Embora não tenha assegurado direitos básicos à população negra liberta, a abolição da escravatura no Brasil ocorreu, segundo a história, no dia 13 de maio de 1888, quando a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea, que decretava a libertação das pessoas escravizadas no país;
  • 1995: A Marcha Zumbi, realizada em Brasília no ano de 1995, contou com a presença de 30 mil pessoas, despertando a necessidade de políticas públicasdestinadas aos negros como forma compensatória e de inclusão nos campos socioeducativos. Com dados alarmantes do IBGE e IPEA, um decreto do presidente Fernando Henrique Cardoso instituiu o Grupo de Trabalho Interministerial para a Valorização da População Negra;
  • 2010: Promulgação da Lei 12.288/2010, conhecida como Estatuto da Igualdade Racial;
  • 2011: Promulgação da Lei Federal Nº 12.519/2011, que instituiu oficialmente o Dia da Consciência Negra no calendário brasileiro;
  • 2012: Lei 12.711/2012, que criou as cotas para ingresso em cursos superiores, aos poucos difundidas nas maiores universidades do país, sejam elas federais, estaduais ou até mesmo privadas;
  • 2013: criação da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), no mês de março;
  • 2013: Lei 10.639/2013, que inclui a comemoração do Dia da Consciência Negra no calendário escolar, trazendo a discussão da história e da cultura afro-brasileiras, além da valorização dos africanos e afro-brasileirosnos currículos escolares da rede pública de ensino;
  • Até o presente: afloramento de movimentos sociais e organizações em todo o país que lutam para combater a discriminação racial por meio de transformações culturais e políticas.

Sobre o Dia da Consciência Negra

O Dia Nacional da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, é marcado por atividades culturais, debates e manifestações organizadas pelo movimento negro em diferentes regiões do país. A data foi instituída oficialmente pela Lei Federal Nº 12.519/2011. Embora tenha sido oficializada somente em 2011, a data já estava incluída no calendário escolar desde o ano de 2003.

Benedita da Silva foi a autora do projeto que definiu 20 de novembro como o Dia da Consciência Negra, em contraposição ao 13 de maio, em que se comemora a abolição da escravatura. A data não representava, de fato, a liberdade dos negros escravizados, já que a vida de miséria do povo preto seguiu após a abolição. Em virtude disso, institui-se o dia 20 de novembro em memória de Zumbi dos Palmares e da sua luta histórica pela liberdade e valorização do povo negro no Brasil.

Zumbi dos Palmares

Zumbi nasceu em 1655 e foi o chefe de maior destaque na história do Quilombo dos Palmares, situado entre os estados nordestinos de Alagoas e Pernambuco. Foi capturado ainda na juventude e, após sua fuga, voltou ao quilombo para liderar o povo de Palmares. Seu nome é lembrado no dia 20 de novembro por ter lutado até a morte para defender seu povo em uma batalha contra os colonos portugueses.